terça-feira, 5 de abril de 2011




De vez em quando gosto de ir até aquele parque abandonado, que costumava visitar contigo, e fingir que sou criança novamente. Sento-me no balanço já com as correntes enferrujadas do pouco uso que lhe deram e da chuva que apanhou e imagino que estás atrás de mim a empurrar-me, como fazias antigamente. Fecho os olhos e sinto-me a voar. Sinto as tuas mãos a encostarem-se nas minhas costas levemente para me dar mais impulso e parece que te ouço cantar para mim. Continuo a ter saudades tuas, continuo a chorar por ti. E não digam que chorar por alguém que foi embora é um acto egoísta. Eu dava tudo para poder ter aqui, sim é verdade. Mas por te ter aqui bem, saudável e não por te ter ao meu lado a sofrer. Eu bem sei que estás melhor onde estás, mas não é egoísmo ter saudades tuas. Não, porque eu passei pouco tempo contigo. Também tenho direito a uma ponta de egoísmo e de ciúme, porque queria mais recordações tuas. 
Mas hoje foi diferente. Aliás, sinto-me contente porque é em dias como o de hoje que eu consigo recordar-te sem chorar, consigo imaginar-te a meu lado e sorrir de felicidade porque te posso sentir e ver a meu lado, embora seja uma imagem pouco nítida. Em dias como este, eu fico feliz porque sei que tu me amaste e ainda me amas, embora não estejas a meu lado fisicamente.
 
 
 
Luto eteerno, Allany Freitas Nascimento 

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