terça-feira, 5 de abril de 2011

(...)


E, através de um sorriso tímido e tremido, fui capaz de esconder toda a tristeza e frustração. Sempre tive aquela mania estúpida de sorrir quando estava nervosa para não desatar a chorar. Não podia chorar. Não à tua frente, pelo menos. Não naquele momento. Eu só queria mostrar-te que podias ir embora e deixar-me sozinha, porque eu iria ficar bem. Tudo estava bem. Queria que soubesses que eu ia saber tratar de mim, dali para a frente. E, acima de tudo, queria que soubesses que eu ia ser responsável e não iria cometer nenhuma loucura, nenhum disparate. Além disso, eu tinha a certeza que, por muitas palavras de sofrimento que saíssem da minha boca, por muito que eu te implorasse, tu nunca irias ficar. E eu tenho o meu orgulho, nunca seria capaz de me “baixar a esse nível”, muito menos depois de tudo o que se passou (ou não passou) entre nós. Mas agora já não há um nós, já não há um “tu e eu”. Há sim um “tu e ela”.
E foi naquele momento que eu percebi que nunca mais irias ser meu. Se eu quisesse mudar de ideias, seria tarde demais. E então, quando viraste costas e deixei de te poder ver, uma lágrima caiu pelo meu rosto, fechei o punho e encostei-o com força contra o meu peito. E, baixinho, sussurrei "Adeus, agora é para sempre.".

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